Na estação de S. Bento, no Porto, a palavra-chave é hoje, dia de Carnaval e de greve da CP, «suprimido», mas os passageiros que tentam viajar contam-se pelos dedos da mão.
Os poucos passageiros presentes em S. Bento na manhã de hoje, dia de greve decretada pelo Sindicato Nacional dos Maquinistas dos Caminhos de Ferro Portugueses (SMAQ), dividiam-se entre os que sabiam da paralisação, mas decidiram tentar a sorte e os que foram surpreendidos pelo painel pejado de “suprimido” em todas as direções.
“Não estava a par da greve. Quando há bocado cá cheguei para embarcar para Ovar é que vi que não há comboios. Vim a uma consulta e agora não sei a que horas vou sair daqui”, disse à Lusa Silvino Sousa, que chegou ao Porto pelas 07:00 de hoje.
Por seu lado, José e Emília Araújo deslocaram-se de Vila Nova de Gaia até S. Bento conscientes da greve para experimentar se podiam ser abrangidos pelos 19 por cento de comboios decretados como serviços mínimos pelo tribunal arbitral, mas tal não chegou a acontecer.
O casal estava a tentar chegar a Braga, localidade que escapa à classificação de “suprimido” no painel que se encontra no centro da estação de comboios da baixa portuense, mas que, ainda assim, segundo garantias dos funcionários da CP, só vai ter viaturas a funcionar nesse sentido por volta das 18:00.
“Agora vou regressar à base”, lamentou José Araújo, acrescentando que “com as greves não se vai a lado nenhum”. A “classe operária” um dia vai aperceber-se que é “manobrada por alguém em quem confia e em quem não devia confiar”, disse.
Mariana Novais entrou em S. Bento em passos largos e dirigiu-se de imediato para as plataformas dos comboios. Depois de atravessar o átrio sob o painel com as partidas e as chegadas é que se apercebeu de que algo não está certo e dando uns passos para trás, olhou incrédula para a sequência de letras da palavra “suprimido”.
“Só agora é que reparei quando cheguei que isto estava muito parado”, reconheceu a jovem de 23 anos, que procurava ir para Guimarães.
A CP espera conseguir cumprir hoje 162 comboios dos 841 que deveriam circular, caso não houvesse greve, disse à agência Lusa a porta-voz da empresa, Ana Portela.
As primeiras previsões da manhã apontavam para a realização de 37 comboios até às 08:00, em todo o país.