O Supremo Tribunal ucraniano adiou hoje para 26 de junho a audição do recurso da ex-primeira-ministra Iulia Timochenko contra a pena de sete anos de prisão a que foi condenada por abuso de poder.
O tribunal de Kiev, a mais alta instância judicial da Ucrânia, tomou a decisão após uma moção apresentada pelos procuradores, mas muito criticada pela defesa, que acusou as autoridades de arrastarem o processo.
O adiamento representa uma nova complicação na controvérsia legal que envolve a condenação de Timochenko e que ameaça ensombrar a realização no país do campeonato europeu de futebol, Euro 2012.
O juiz, Stanislav Mishchenko, justificou o adiamento com a necessidade de dar mais tempo ao tribunal para estudar novas provas.
O deputado Olexander Turchynov, do partido de Timochenko, disse por seu lado que o tribunal "já começou a seguir o cenário da acusação, que é o de adiar o processo".
Com o adiamento agora anunciado, o recurso da ex-primeira-ministra será julgado em pleno Euro 2012, antes das semifinais.
Os apoiantes de Timochenko acusam o Presidente Viktor Ianukovitch de levar a cabo o processo num ato de vingança contra a sua rival política, enquanto a União Europeia considera que o caso tem motivações políticas.
O advogado da ex-primeira-ministra Sergiy Vlasenko disse que a defesa não vai esperar pela decisão do Supremo Tribunal e irá avançar imediatamente com um recurso para o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.
"Gostaria de dizer a Ianukovitch que, se ele pensa que a decisão de hoje encerra o nosso caminho para o Tribunal Europeu, está enganado. Vemos a sessão de hoje como a decisão final e vamos para o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos", disse.