O diretor do Parque Natural da Madeira, Paulo Oliveira, revelou hoje que a Reserva Natural Parcial do Garajau "caminha para a recuperação total" dos efeitos causados pelas toneladas de terras trazidas pelo temporal de 20 de fevereiro de 2010.
"Responder a essa pergunta é como a história do copo de água, ou está meio cheio ou está cheio. Vamos a caminho, já estivemos mais longe mas também ainda não estamos lá", disse Paulo Oliveira à Agência Lusa, quando confrontado qual era a situação da Reserva dois anos após o temporal cujas torrentes de terra e detritos caíram do alto dos montes rumo ao mar afetando a vida subaquática.
O biólogo responsável pelo Parque Natural da Madeira recorda que, na ocasião, "a zona do Garajau foi bastante afetada pelas terras trazidas pelas ribeiras mas desde logo iniciamos monitorizações semestrais com mergulhos de avaliação e a situação caminha para a recuperação total mas estes processos são lentos e a natureza precisa do seu tempo".
Paulo Oliveira revela que chegou a ser ponderada "uma intervenção de fundo que permitisse uma recuperação mais rápida que passava pela aspiração dos fundos para retirar a terra, metê-la em barcos e colocá-la noutro local".
Esta solução, no entanto, trazia riscos porque "quem aspira, aspira tudo" e, por isso, foi então decidido fazer prevenção ao nível da entrada de terras provenientes das ribeiras, ações de monitorização e deixar que a natureza fizesse o seu trabalho.
"Agora, que a situação está estabilizada, é uma questão de tempo e, no verão, as condições de visibilidade já são outras".
Paulo Oliveira realça que os riscos para a Reserva advieram mais das ribeiras do que do aterro erguido no litoral da cidade do Funchal: "as intervenções ao nível das ribeiras foram mais prejudiciais do que o aterro, só quando há ventos de sudoeste é que se verifica alguma intervenção".
A Reserva Natural Parcial do Garajau foi criada em 1986 com a finalidade de "proteger uma área do litoral madeirense que funcionasse como viveiro, contribuindo para o repovoamento faunístico das áreas litorais adjacentes impedindo, deste modo, a desertificação dos fundos marinhos do litoral da ilha da Madeira".
O espaço protegido, a primeira zona marinha de Portugal deste género, localiza-se na encosta sul da ilha da Madeira, a leste do Funchal, ocupando uma extensão de costa de aproximadamente seis milhas e abrange uma área de 376 hectares tendo como limites a linha de batimétrica dos 50 metros a sul, o cais do Lazareto a oeste, a Ponta de Oliveira a este e a linha de preia-mar a norte.
Os fundos da Reserva são de natureza rochosa até aos 22 metros de profundidade a partir dos quais passam a ser de areia fina ou concha moída sendo proibida a pesca comercial ou desportiva.
Na Reserva pontifica uma diversidade biológica quer ao nível da flora, designadamente algas, quer ao nível da fauna marinha em que se destaca o mero, um peixe que atinge os 65 quilos, que se aproxima dos mergulhadores, é dócil e de fácil convivência sendo, por isso, considerado a espécie emblemática desta zona protegida.