Pelo menos uma pessoa morreu e 21 outras sofreram ferimentos durante protestos antiamericanos contra a queima de exemplares do Corão no Afeganistão, que já se alastraram a outras cidades do país.
A vítima mortal “é um jovem que fazia parte dos manifestantes, vi o seu corpo no hospital”, declarou à agência noticiosa francesa AFP Ahmad Ali, médico no hospital público de Jalalabad.
De acordo com várias fontes oficiais, onze participantes do protesto antiamericano sofreram ferimentos de bala na capital afegã, quando tentavam rumar ao centro de Cabul, enquanto outras dez pessoas foram feridas em Jalalabad.
O protesto, que tem lugar pelo segundo dia e se reveste de violentos contornos, surge depois de, na terça-feira, terem sido queimados exemplares do Corão numa base militar americana.
De acordo com as agências internacionais, só nas ruas de Cabul estavam cerca de 500 pessoas em protesto, existindo relatos de carros e pneus incendiados.
No dia anterior, milhares de afegãos já tinham protagonizado um violento protesto diante da maior base militar norte-americana no país, a cerca de 60 quilómetros a norte de Cabul, acusando tropas estrangeiras de terem queimado exemplares do Corão.
O comandante da força da NATO no Afeganistão, o general norte-americano John Allen, pediu desculpa ao "nobre povo do Afeganistão", após ter tido informações que indicavam que "soldados da base de Bagram se desembaraçaram durante a noite, de modo inconveniente, de um número importante de documentos islâmicos, incluindo o Corão".
O general Allen não confirmou, contudo, se tinham sido queimados exemplares do Corão, como assegura a polícia afegã.
Um repórter fotográfico da AFP viu vários exemplares do livro sagrado dos muçulmanos com as extremidades parcialmente queimadas que funcionários afegãos da base dizem ter salvo da destruição pelo fogo.
Estes funcionários teriam depois divulgado o caso, segundo uma fonte governamental, o que provocou a concentração de, "pelo menos, duas mil pessoas" na terça-feira, de acordo com a polícia.