Prémio ajuda a chamar o público para a estreia de "Tabu" em Abril

O filme "Tabu" de Miguel Gomes, que recebeu dois prémios no Festival de Cinema de Berlim, deverá estrear em Portugal em abril, e o reconhecimento internacional "ajuda" a chamar o público, disse hoje à Lusa o cineasta.
"Tabu" foi distinguido no sábado com o prémio Alfred Bauer para a Inovação, um dia depois de receber o prémio especial da crítica na Berlinale.
Depois do êxito em Berlim, como levar agora o filme ao público português? "É preciso começar por estreá-lo em salas", responde Miguel Gomes.
"Já há uma primeira data para estrear, embora ainda não esteja completamente fechada, mas será em abril", revelou.
O realizador de "Aquele Querido Mês de Agosto" considera que "ajuda ter prémios e reconhecimento lá fora", mas isso não basta.
"Não podemos forçar as pessoas a entrar nas salas de cinema. O que se pode fazer é fornecer filmes, fazer filmes portugueses e estreá-los", diz.
"Só faz sentido fazer filmes quando há um desejo, o que move a pulsão para fazer cinema é o desejo de filmar, e depois espera-se que no final as pessoas consigam relacionar-se com isso, comungar desse desejo que deu origem ao filme", considera o cineasta.
"Tabu" divide-se em duas partes, a primeira passada na Lisboa contemporânea - ou nem tanto: "Já é quase um filme de época, porque se passa na segunda metade de 2010, antes da chegada da ‘troika’."
Na segunda parte, "abre-se o tempo, o espaço", o cenário passa a ser a África de há 50 anos, numa "colónia portuguesa não especificada".
"Havia uma vontade neste filme de trabalhar uma ideia de memória, a memória de coisas extintas, a memória de alguém que morre e de uma sociedade que também já se extinguiu", conta Miguel Gomes. "Havia também a vontade de dialogar com um cinema que já desapareceu, o cinema clássico americano, e também o cinema mudo."
Daí que "Tabu" tenha sido filmado a preto e branco e numa "matéria que tem sido central na história do cinema", a película, que está ela própria "também em desaparecimento", substituída pelo digital.
Além dos dois prémios recebidos por "Tabu", também "Rafa", de João Salaviza, recebeu o Urso de Ouro para a melhor curta-metragem no Festival de Cinema de Berlim, que hoje termina na capital alemã.