O ministro da Cultura francês confirmou hoje a morte da jornalista norte-americana Marie Colvin, do britânico Sunday Times, e do fotojornalista freelancer Remi Ochlik durante um bombardeamento na cidade síria de Homs.
“É absolutamente esmagador, terrível”, referiu o ministro da Cultura francês, Frederic Mitterrand, comentando a morte dos dois jornalistas ocidentais provocada por um bombardeamento contra o centro de imprensa no bairro de Baba Amr da cidade de Homs, durante o qual segundo uma ONG síria também morreram 13 civis sírios.
Entretanto, o jornal francês Le Fígaro afirmou que uma correspondente enviada a Homs estava entre três jornalistas feridos no mesmo ataque.
O jornal espanhol, que cita o correspondente em Homs, Javier Espinosa, confirmou o ataque do regime de Bashar al-Assad contra o centro de imprensa e sublinhou que outros dois jornalistas tinham ficado feridos durante o bombardeamento.
Colvin e Ochlik estavam durante o bombardeamento no centro de imprensa instalado por ativistas no bairro de Baba Amro, que tem sido bombardeado há três semanas pelas tropas de Bashar al-Assad.
Ambos os falecidos eram veteranos na cobertura de conflitos no Médio Oriente e noutros locais do mundo.
Colvin, a única jornalista que atualmente trabalhava para um meio britânico na Síria, perdeu um olho no Sri Lanka em 2001 e desde então utilizava uma pala preta.
A jornalista foi eleita Correspondente Estrangeira do Ano nos prémios para a imprensa britânica em 2010.
Ochlik, de 28 anos, era fotógrafo, representado pela agência IP3, que co-fundou em Paris, e tinha deixado os estudos com 20 anos para se deslocar ao Haiti em reportagem, tendo posteriomente coberto muitas das recentes revoltas da “primavera árabe.
Anteriormente, o jornal espanhol El Mundo, citando o correspondente em Homs, Javier Espinosa, tinha afirmado que o fotojornalista francês era da revista francesa Paris Match.
A 11 de janeiro, o grande repórter francês Gilles Jacquier foi o primeiro jornalista ocidental a morrer na Síria desde o início da revolta popular contra o regime de Bashar al-Assad há dez meses.
Jacquier morreu em Homs, epicentro da contestação no centro da Síria, durante uma viagem autorizada pelas autoridades, que restringem drasticamente os movimentos dos jornalistas no país.
Nenhuma testemunha no local conseguiu afirmar se o obus que o matou tinha sido lançado por um rebelde sírio ou se se tinha tratado de um tiro do exército sírio.
Vários bairros da cidade de Homs, atacados diariamente desde 4 de fevereiro, estão isolados do mundo e não têm alimentos nem material médico quando não existe qualquer possibilidade de retirar os feridos.
A situação humanitária em Homs é dramática e os apelos para agir são crescentes, nomeadamente pelo Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICR), que pediu tréguas diárias de duas horas para encaminhar ajuda humanitária o mais depressa possível para a Síria, designadamente Homs.