Documento final da Conferência Rio+20 aprovado por consenso

O documento final da Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável Rio+20 foi aprovado hoje por consenso hoje após seis dias de intensas negociações, mas com a maior parte dos países a saírem insatisfeitos.
"Todos os países já aceitaram o texto final. Todos têm infelicidades em algum ponto, mas ninguém quebrou o consenso", anunciou o chefe de comunicação das Nações Unidas no Brasil, Nikhil Chandavarkar.
Apesar do consenso, o documento final da Rio+20 deixou insatisfeitos tanto os países desenvolvidos como os em desenvolvimento.
"A crise certamente influenciou, provocou uma retração nesses países [desenvolvidos] em áreas importantes. O nível de ambição na área do financiamento foi seguramente afetado", admitiu o negociador-chefe do Brasil na Rio+20, Luis Alberto Figueiredo.
Uma das maiores lutas travadas nas últimas horas de negociação foi em torno da reafirmação do princípio das "responsabilidades comuns, porém diferenciadas".
Esse princípio - instituído da Eco92, que ficou conhecida como Cimeira da Terra e colocou as questões ambientais na agenda internacional - esteve a ponto de cair por terra, mas venceu a posição do G-77 (grupo de 130 países pobres e em desenvolvimento mais a China).
O princípio foi aprovado, mas à custa da retirada de uma proposta sobre a criação de um fundo para o Desenvolvimento Sustentável. Na prática, o documento, que será "promulgado" pelos líderes mundiais que se reunirão na cimeira Rio+20 entre quarta-feira e sexta-feira, adia para 2014 a decisão sobre os meios de implementação.
Outra questão polémica - os objetivos do desenvolvimento sustentável - também não chegou a ficar definida no texto final. A previsão é de que essas metas sejam caracterizadas mais adiante, também com um prazo até 2015, prazo de vigência dos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio.
Os negociadores brasileiros, no entanto, tentaram sublinhar a vitória de ter sido alcançado um texto final, num mundo dividido, que não consegue consensos nem para resolver as questões financeiras.
"O resultado não deixa de ser muito satisfatório porque existe um resultado em primeiro lugar. A questão era, até ontem (segunda-feira), quando enfrentámos dificuldades bastante significativas, de ter texto, ou não ter texto", admitiu o chefe da diplomacia brasileira, António Patriota.
O terceiro ponto muito discutido diz respeito à alteração da estrutura de governança internacional. Segundo o documento final, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) será "fortalecido", o que abre a possibilidade de se tornar uma agência ou um órgão mundial, como queriam alguns países, a União Europeia entre eles.